5 Motivos para gestores assistirem Sense8

Quem tem a tarefa, muitas vezes extenuante, de gerir uma equipe sabe muito bem que precisa do famoso jogo de cintura. Liderar e direcionar pessoas com diferentes personalidades, gêneros, religiões e objetivos particulares distintos, de fato, não é fácil. Para isso, é preciso respeitar o outro, saber ouvir muito, falar assertivamente e controlar muito bem o emocional.

A nova série da Netflix, Sense8, permite a qualquer bom gestor observar tais necessidades. E, àqueles que querem ser melhores líderes, devem facilmente identificar, no seriado, características que podem ser melhor trabalhadas em si próprios, tanto como seres humanos, como profissionais. Vamos começar pelos assuntos mais polêmicos!

Gêneros e Classes

Tão em voga por conta do debate da bancada cristã fundamentalista e das empresas que protegem e apoiam o movimento de liberalidade sexual, no qual se encaixa o grupo LGBT, a série Sense8 apresenta oito personagens principais com uma diversidade sexual que chega a dar um nó na mente. São eles:

  • Um galã do cinema mexicano reprimido, que teme perder sua carreira por ser gay;
  • Uma hacker transexual lésbica, que nasceu menino (Michel) e mudou de sexo, mas ama uma mulher;
  • Uma DJ traumatizada que vive relacionamentos intensos e abusivamente ilícitos;
  • Um africano heterossexual humilde que sofre com a mãe, portadora de HIV;
  • Uma coreana bem sucedida que extravasa sua energia em ringues de vale tudo;
  • Uma cientista indiana de boa casta que se vê em um dilema pré-matrimônio;
  • Um arrombador de cofres que sofre com os traumas de infância e péssimo relacionamento familiar;
  • Um policial exemplar que tenta fazer a diferença mesmo sendo recriminado pelos seus “iguais”.

Com apenas 12 episódios (1ª temporada), a série já mostra como uma equipe pode ser tão plural e exigir grande tato para lidar com diferentes tipos de personalidade.

Trabalho em Equipe

E que equipe! Com tanta gente diferente, há que ser muito bom em relacionamentos para conseguir lidar uns com os outros. A troca de conhecimentos entre eles, obviamente, acontece em um patamar utópico para a realidade de qualquer organização. Mentalmente, os oito personagens principais conseguem acessar os sentimentos e conhecimentos um dos outros, fazendo com que sejam desenvolvam habilidades sobre humanas. Compartilhamento de idiomas, técnicas de luta e até mesmo da encenação. O grupo unido forma oito super pessoas. Tudo o que qualquer gestor gostaria: profissionais que se entregam de tal forma que conseguem resolver quase tudo e de forma sincronizada. Contudo, de início, as oito personagens não têm controle de suas habilidades e compartilham as principais informações de forma irregular e não planejada. Não é assustador se aqui você pode pensar: “Poxa! Minha equipe faz isso constantemente”. Se não há conhecimento das competências de cada um e sinergia, ou seja, trabalho em equipe bem direcionado, o resultado das tarefas podem ficar abaixo do desejado.

— Mas o que eu, gestor, tenho a ver com o trabalho em equipe das pessoas que faço a gestão?
A resposta é simples: tudo. Você também é responsável pelo bom entrosamento de quem lidera. Além disso, deve estimular a troca de conhecimentos entre os componentes da equipe e a participação de todos nos diversos projetos. Teoricamente, quanto mais gente participando, mais troca de conhecimento e melhores resultados.

Aparição de "Angel" em Nairobi, África.

Concentração e foco

Como a troca de conhecimento e informações através das “visitas” e “compartilhamentos”, explicados na série, começam de forma desordenada e desconexas, é preciso muita concentração e foco das personagens nos momentos de interação entre eles. Afinal, no enredo da séries, eles se comunicam telepaticamente e até conseguem ter sensações físicas entre si por terem essa conexão extra sensorial. Devido a tais “alucinações”, eles precisam de muita concentração para usufruir do conhecimento dos outros integrantes do grupo sem transparecer alienação aos que estão ao seu redor. Podemos comparar isso ao desenvolvimento de atividades em equipe, nas quais os profissionais precisam uns dos outros e podem obter bons resultados se mantiverem a concentração e o foco nos resultados desejados. Assim, a equipe não desvia a atenção com outros grupos ou tarefas e são capazes de obter resultados surpreendentes.

— Mas o que eu, gestor, tenho a ver com a concentração e foco dos profissionais que lidero?
A resposta é óbvia: sem direcionamento correto (foco) e sem ambiente propício para se concentrar, seus liderados podem passar a agir como baratas tontas, correndo de um lado para o outro, apagando incêndios e sem objetivos bem definidos.

Talentos individuais

Como já dito, a série é composta por oito personagens principais. Sem super poderes, são pessoas comuns e espalhadas pelos cinco continentes. Cada uma com suas qualidades e defeitos. O que as diferem dos demais é justamente a conexão entre elas. Nenhum é melhor que o outro, pois eles se completam. Em determinada situação, as qualidades de um sobressaem-se. Quando é preciso mentir (encenar), o ator mexicano é acionado. Quando é preciso combater inimigos fisicamente, a lutadora coreana entra em ação ou a cientista indiana faz analisa as ferramentas disponíveis para encontrar uma saída. E assim sucessivamente. O sonho de qualquer gestor: uma equipe com profissionais que compartilham seus conhecimentos e não se impõem uns aos outros. Há uma espécie de liderança rotativa justamente por cada um saber de seus limites e de seus potenciais.

— Mas no que eu, gestor, posso influir nos talentos individuais de quem faz parte de minha equipe?
A resposta é fácil: reconhecimento e investimento. Um profissional não valorizado e que não recebe investimento de quem mais usufrui de suas capacidades tende a se desestimular. Nem sempre o investimento mais adequado é aumento de salário. Um simples curso de aperfeiçoamento patrocinado pela empresa é reconhecido pelo profissional. Além disso, quem forma (tanto no sentido de contratar como de desenvolver) a sua equipe é você.

Pensamento estratégico

Conforme o enredo se desenrola, as oito personagens se adaptam a sua nova realidade e começam a trabalhar perfeitamente em equipe, de forma estratégica, acionando os pares corretos a cada momento. Mesmo com a, digamos, espionagem do Sr. Sussuros (o vilão), o grupo articula suas habilidades para salvar uns aos outros da conspiração de uma poderosa organização inimiga. Da mesma forma com que o mercado atual é altamente agressivo e usa de todas artimanhas para seduzir e espionar a concorrência, a primeira temporada da série mostra que é possível resistir estrategicamente a tais ações com o trabalho em conjunto.

— Mas o que eu, gestor, tenho a ver com o pensamento estratégico dos profissionais que lidero?
Esta resposta é complicada, pois o ideal é que o gestor forme uma equipe multidisciplinar (fomentando o trabalho em equipe), contrate profissionais que se completem (valorizando os talentos individuais) e ofereça informações claras e objetivas, além de autonomia para execução das tarefas.

Se ainda não está convencido de que Sense8 é uma boa atividade analítica para suas práticas de gestão, pode assisti-la simplesmente por lazer:

Os episódios de “Sense8” foram baixados 510.848 vezes por usuários de torrent em todo o mundo, segundo a empresa de monitoramento de pirataria Excipio.
— Pop e Arte, do Portal G1.

Das mentes criativas inigualáveis de Os Wachowskis (trilogia Matrix,A Viagem) e J. Michael Straczynski (A Troca de Clint Eastwood, Guerra Mundial Z), assim como do produtor executivo Grant Hill (trilogia Matrix, A Viagem), Sense8 é diferente de qualquer coisa vista antes na televisão, ampliando os limites no estilo, escopo e história.
— A Tribuna.

Entre os sense8, paradoxalmente ao poder que eles recebem, não há heróis. O motorista, a DJ, a executiva, a farmacêutica, o ator, o ladrão, o policial e a hacker são tão humanos e comuns como qualquer um de nós, sem maniqueísmos.
— Vida e Arte, do Jornal de Hoje. O Povo Online.

A obra é uma das melhores já lançadas pelo serviço de streaming. Vou além: é uma das melhores dos últimos anos.
“Sense8” questiona o status quo e coloca o dedo na ferida de muitos. Assista sem pré-conceitos e desfrute de uma das grandes obras desta que é conhecida como a terceira idade dourada da televisão.
— Cinema/Crítica, Portal Itu.com.br.

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