Curso – Redação Criativa, Escola de Escrita

(Re)Criando-me para viver

“Viver não é necessário. Necessário é criar”, afirmou certa vez Fernando Pessoa. E, se formos filosofar sobre tal afirmação, viver é criar: um filho, um animal de estimação, laços com amigos, bons negócios ou belos textos, entre tantas outras coisas. Criar é transferir energia vital. Tal qual recriar é registrar em algo o seu DNA, independentemente do reconhecimento disso no amanhã.

— Está faltando algo!

Tal qual certa vez afirmou Fernando Pessoa, o necessário é criar e não viver. Podemos pensar que a vida já é e por isso não é preciso praticar a ação de viver. Mas, para que uma vida seja vivida e bem vívida, é preciso agregar a si, ao outro e à humanidade. Para isso, é preciso criar e recriar, mesmo que o sua personalidade não seja reconhecida na posteridade ou que sua recriação seja mal vista.

— Ainda não está legal…

Recriar é fazer como Fernando Pessoa ao aludir Pompeu: “Navigare necesse, vivere non necesse”. A frase na qual Pessoa recria a fala do italiano, dita entre 106 e 48 a.C., se popularizou e sobrepujou a autoria original. Mas, só cria quem vive. Então, cabe refletir que se o necessário é criar e não viver, quem recria pode estar, na verdade, revivendo a vida alheia.

— Que tosco… Não!

Nasceu 1900 anos após o registro da frase. Português de nascimento e sul africano de criação, ele se inclinou à literatura desde pequeno e regressou a Portugal para tentar cursar letras. Segundo outros autores, nada na vida de Fernando Pessoa era surpreendente. Daí pode-se desenvolver uma reflexão sobre a importância da criação, da criatividade e da recriação em nossas vidas. Afinal, “viver não é necessário, necessário é criar” tal qual “navegar é necessário, viver não é necessário”.

Síncope criativa! A minha perda repentina da consciência se deu ao receber algumas folhas impressas com 18 formas de se iniciar um texto. DEZOITO formas para começar um texto! Aqueles tantos dramas alvos, nos quais você se depara com a folha do papel em uma mistura perfeita das cores e refletindo toda a luz incidente sobre ela, poderiam ser diferentes. O pânico da tela branca e a necessidade de escrever algo e não saber como iniciar o texto, desconstruído em 18 diferentes formas e possibilidades. Essa foi a minha sensação durante boa parte das 16 horas de um curso de escrita criativa, ministrado pela mestre em Letras, com ênfase em Literatura Comparada, e fundadora da Escola de Escrita, Julie Fank. De fato, aquele final de semana cujos sábado e domingo foram tomados por intensa produção textual e troca de conhecimento e experiências com diversos profissionais, mudará minha performance profissional. Quicá, também, pessoal. Afinal, quem que aprende as ferramentas para escrever bem e de forma criativa quererá escrevendo mediocremente? (Talvez quando o cliente não pagar ou não aprovar! Ossos do ofício da publicidade).

Firulas a parte, o cursinho (no diminutivo apenas por causa da diminuta duração) superou expectativas com as diversas atividades inimagináveis, como escrever um texto sobre um tema que não domina ou não é do agrado pessoal se apropriando com a linguagem de outro tema, aleatoriamente sugerido por um colega. Ou ainda matar os três porquinhos com um desastre de avião que caiu em chamas e deixar o lobo empanzinado por dias com tanto leitão a pururuca. É overdose de criatividade, mesmo que non sense. Resta-me colocar a cabeça em meu travesseiro e pensar outros Deusécios, Dilmevas e Luladãos que ainda criarei “nessa longa estrada da vida” pela qual ainda pretendo recriar inúmeras vezes o Gênesis e outras criações mundanas. Afinal, viver pra que?

Fui (re)criar(-me)!

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